C   redit
Perdoe minhas palavras amargas e o meu desequilíbrio emocional, mesmo que a causa disso tudo seja você. Ou talvez eu seja a culpada. Afinal, já estou farta de saber que não se deve confiar em você, ou em ninguém. Mas é inevitável. É como saber que a água do mundo está se esgotando e, mesmo assim, continuar gastando em abundância. Por que você também sabe que, lá no fundo, alguns hábitos nunca mudam. Eu gostaria de te prometer que tudo pode melhorar, mas já é tarde demais, você já foi embora e eu também. Não que eu gostasse tanto assim de você. Seria eu uma pessoa muito ruim se admitisse que só estava contigo para não me sentir só? Talvez não, por que você sabe que também estava comigo por isso. E de alguma forma, estranha por sinal, nos fazíamos bem. Mas agora voltei a estaca zero, agora é apenas “eu e você” e não “nós”. Se foi um erro ter deixado acontecer? Não, a gente sempre aprende coisas novas em nossos relacionamentos. Porém, agora é hora de dizer adeus a você e ao inverno e dizer olá a primavera, afinal, muitas coisas aflorassem nessa estação, certo?
Primavera.
Diferente dos livros, a gente não pode voltar na melhor parte.
Clarissa Corrêa